
Eu tinha acabado de chegar na casa dele. Era um sábado à tarde e a gente tinha combinado de fazer uma sessão de filmes românticos. Por isso ele era meu melhor amigo, porque ele era o único menino que eu conhecia que aguentava fazer esse tipo de programa comigo.
- Arrumou os lanchinhos? Eu trouxe os dvd’s.
- Já, já. Mas primeiro eu quero te mostrar uma música que eu aprendi a tocar.
- Mas agora? Vamos ver os filmes antes.
- Não. Vai ser rápido. Eu tenho que fazer isso agora.
- Então tá.
Sentei ao lado dele no sofá. Já estava com o violão na mão, notei que até então ele não tinha me olhado nos olhos. Até então.
Ele começou a tocar, e eu já conhecia a canção. Quando ele começou a cantar, meu coração acelerou. Nunca havia cantado pra mim. Com a cabeça baixa, cantou toda a primeira estrofe:
“Para pra pensar, porque eu já me toquei,
Eu te escolhi você me escolheu, eu sei.
Tá escancarado, vai negar pro coração?
Que você tá com sintomas de paixão!”
Comecei a perceber o que estava acontecendo ali. Não conseguia acreditar.
Então, durante a segunda parte, quando ele olhou bem fundo dentro dos meus olhos, tudo começou a fazer sentido.
“É quando os olhos se caçam em meio à multidão,
Quando a gente se esbarra andando em qualquer direção.
Quando indiscretamente a gente vai perdendo o chão, vai ficando bobo,
Vai ficando bobo...”
Era uma declaração. Do jeito que eu sempre tinha sonhado. Com quem eu sempre tinha sonhado. Mas ele gostava de mim também? Desde quando? Como eu nunca havia percebido? Será que eu estava sonhando?
Sem perceber comecei a cantar junto o refrão, enquanto uma lágriminha de emoção escorria pelo meu rosto.
“E aí já era é hora de se entregar,
O amor não espera, só deixa o tempo passar.
E fica pro coração, a missão de avisar,
E o meu tá dando sinal: e tá querendo te amar!”
Largou o violão, segurou meu rosto com as duas mãos e disse:
- Você é a minha melhor amiga, e a única que eu confiaria meu coração. Talvez eu esteja estragando tudo, mas eu precisava tentar. Eu te amo. Quer namorar comigo?
Respondi com um sorriso e um beijo.
Aí já era...